É realmente necessário sacrificar um animal para um ritual religioso?

Filósofo e pesquisador Fabiano de Abreu discorre sobre a lei constitucional que permite o abate de animais para cerimônias religiosas

Tenho acompanhado de perto a discussão sobre a lei que permite o sacrifício de animais
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15/08/2018

Filósofo e pesquisador Fabiano de Abreu discorre sobre a lei constitucional que permite o abate de animais para cerimônias religiosas

Tenho acompanhado de perto a discussão sobre a lei que permite o sacrifício de animais nas religiões afro-brasileiras como oferendas. Li, inclusive, que representantes de religiões de matriz africana foram ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e entregaram um manifesto que pede o veto à lei.

Tento me colocar racional dentro de circunstâncias que vai além da religião. A era dos sacrifícios com animais já passou há muito tempo. Aconteceu em uma época antes da evolução em que a base do nosso conhecimento era restrita em relação aos dias atuais. Hoje já temos conhecimento suficiente para entender que isso não é necessário.

Vamos aos princípios básicos de um raciocínio lógico: se a religião propaga o bem, seria um ato de uma pessoa boa sacrificar animais que não seja para alimento?    

Estive em Angola para lançar meu livro e tenho clientes angolanos como assessor de imprensa. Comentei que fui na macumba uma vez e o pai de santo me pediu para falar o africaner de Angola. Os intelectuais de Angola me afirmaram que não se fala esse idioma por lá, que falam português e têm orgulho da colônia e tradições trazidas pelos portugueses. Inclusive me disseram que a macumba é uma religião rara por lá, apenas nas áreas mais miseráveis e os mais antigos. Eles são em geral católicos.

Não estou dizendo isso pois sou contra a macumba. Tanto que já frequentei diversas vezes e tenho diversos amigos na religião. Estou dizendo isso pois tem coisas que são passado, que já não há por que continuar, que nós aqui paramos no tempo enquanto outros evoluíram. E, para mim, sacrifícios de animais é parar no tempo.  
 
Mas tem um porém: não sou contra um religioso de uma religião que sacrifica animais e que me diz que faz o sacrifício do animal e depois o come, sendo que foi abatido no tempo certo, adulto, para as oferendas e depois para alimentação. Não sou contra isso, mas é minha opinião. Sou carnívoro, estudei que somos inteligentes e evoluímos devido a comer carne. Povos se desenvolveram e superaram a 'era do gelo' comendo carne.

Vale destacar que o processo é movido pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e que a Lei gaúcha 12.131/2004, que permite o sacrifício de animais destinados à alimentação nos cultos das religiões africanas, foi validada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS).