"A mídia social é um universo de estrelas em que visto da terra todas são iguais”, afirma Fabiano de Abreu 

Fabiano de Abreu fala sobre a mídia social, filosofia e sua relação com a imprensa. Trecho de novo livro que será lançado este ano é divulgado

 

Que a rede social veio pra ficar e proporcionou uma
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03/04/2019

Fabiano de Abreu fala sobre a mídia social, filosofia e sua relação com a imprensa. Trecho de novo livro que será lançado este ano é divulgado

 

Que a rede social veio pra ficar e proporcionou uma interação em níveis jamais experimentados na historia isso é verdade, mas também não se pode deslumbrar apenas com os benefícios das mídias sociais e esquecer dos contras, da parte que trata da disseminação de notícias faltas.

 

O filósofo Fabiano de Abreu está escrevendo o seu livro ‘Filosofando a Imprensa’, que será lançado este ano pela editora Pandorga. Nesta obra, o filósofo pretende revelar seu método e pensamento sobre como a filosofia é a sua principal ferramenta para criação de personagens e conteúdo para a imprensa. O livro está sendo escrito em formato considerado inovador, como se fosse um artigo jornalístico, com base em relatos pessoais, memórias e entrevistas feitas pelo jornalista Hebert Neri com Fabiano de Abreu. Abaixo, um trecho que estará presente no livro onde Fabiano relata o que pensa sobre a rede social e a relação do conteúdo lá publicado com a imprensa:

 

Algum dia a rede social vai matar a imprensa?

 

“Não. A rede social não vai matar a imprensa e o motivo é claro. Na imprensa, o que se tem são pessoas formadas e capacitadas que utilizam do próprio nome, às vezes até colocando em risco o próprio pescoço, além de sua reputação, caso a informação veiculada não seja verídica. Se um jornalista propaga fake news ele tem os seus dias contados no jornalismo. Nenhuma redação vai contratar um jornalista desacreditado, que comprovadamente perdeu sua credibilidade por espalhar notícias mentirosas. Já na rede social não há um editor, não há uma verificação e inclusive sobra o anonimato. Qualquer pessoa pode criar um alter ego e falar o que quiser na rede social. Isto garantirá a sobrevivência da imprensa, a credibilidade e a verificação de fontes. Está no sangue do jornalista deixar um legado e ter a sua credibilidade. Existe um pacto implícito no jornalismo em que a sua credibilidade faz tudo na sua carreira e vale mais do que o seu diploma. Sem credibilidade, o jornalista pode rasgar o diploma. A imprensa irá se modificar e se atualizar, mas jamais acabar. A mídia social é um universo de estrelas em que, visto da Terra, todas são iguais”.

 

Digital Influencers

 

Todos podem ser influencers, principalmente pelos motivos mais fúteis. Encher uma banheira de Nutella ou enfiar um lápis no nariz pode te dar mais visualizações e notoriedade do que verdadeiros artistas. Pergunto a Fabiano sobre essa questão, de como ele enxerga o boom dos influenciadores digitais e até onde isso vai nos levar como sociedade, em comparação à imprensa e seu tradicional papel: “A diferença é clara, assim como os rumos apontados. Como vamos acreditar no que essas pessoas dizem? Qual a referência e a autoridade que estas pessoas tem para dizer o que dizem? Enquanto um jornalista vive de sua reputação, um influenciador digital não tem nada a perder. Um influenciador pode falar o que quiser, literalmente, sem sofrer os mesmos danos que um jornalista sofreria. O influenciador geralmente é um personagem e o jornalista sempre é uma pessoa real”.  

 

Mídia Social x Imprensa tradicional

 

Fabiano no entanto reconhece que uma parte da imprensa está cometendo o equívoco de transformar posts de mídia social em notícia, causando um desserviço e um contrassenso: “a mídia social tem seu valor, mas o problema é que tem jornalistas que colocam em risco a própria imprensa quando pegam posts de mídia social e transformam em notícia. É como se eles criassem uma interpretação própria ao que você está lendo. É um tiro no próprio pé”, conclui.