Poema: O rito é parecido mas nunca se repete

No relento observo, com o pensamento percebo.
Em raro momento concebo,
A misturar sentido, sentimento e emoção,
A buscar em meio a razão.
Leve é o vento frio a soprar em minha face,
A deslindar o pano que outrora
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07/10/2019

No relento observo, com o pensamento percebo.
Em raro momento concebo,
A misturar sentido, sentimento e emoção,
A buscar em meio a razão.
Leve é o vento frio a soprar em minha face,
A deslindar o pano que outrora arregace,
A recordar na alma, e empregar a sensação,
E perceber a vida e não torná-la em vão.

Prostrado sinto as mãos à relva,
A criar fantasias de uma selva,
Onde escondo, onde perco, onde procuro encontrar,
Minha localização, meu lar,
Num universo estático,
Em que o aspecto do céu noturno muda ao longo do ano,
A desmembrar um pragmático,
Que se rendeu ao luar.
E assim como as mudanças do céu,
Suave a queda do véu,
Que me argumenta a sensação,
A curar minha aceleração,
Pois não adianta girar,
Que ao sair do lugar,
Não poderei apenas mudar a estação.

Bebo o convívio com os meus demónios,
Que são criados em uma racionalidade,
De achar que querer o bem é ter que mudar o mundo.
É na tradição de uma história criada por mim,
Que não se apaga com a idade,
Pois o pouco pra mim é muito,
E o muito, é muito pouco,
Já que o limite só termina se der fim à minha sanidade.

Que seja estático e infinito,
Que seja logo e nunca, a minha conquista,
Que a mudança não me imponha limite,
E tampouco imite,
O aspecto do céu noturno, que de vez em quando se repete,
Faço das minha escolhas, um imenso carpete,
De estrelas que brilham na simetria de diferentes hemisférios,
Já que não adaptar a repetição é um verdadeiro mistério,
Até mesmo pra mim.
Mas de minhas tantas versões,
Minhas oscilações,
Desmontando as orações, que me traga então, um lindo fim.

Fabiano de Abreu